Eu, racista

O presidente do Bayern Munique é da raça dos condenados por fraude fiscal. Sou a favor desse apartheid

1 - Uli Hoeness, presidente e antigo futebolista do Bayern Munique, esteve três anos e seis meses preso por fraude fiscal (aviso que os condenados por fraude fiscal são uma raça contra a qual tenho grandes preconceitos). Hoeness fez o comentário mais lido e partilhado ao recente anúncio, pelo internacional alemão Mesut Ozil, de que abandonava a seleção por estar a ser maltratado por racistas desde que posara para uma fotografia com Erdogan, ditador eleito da Turquia, país de onde são originários os pais de Ozil. A raça dos Erdogans (não dos turcos, atenção) também me cai mal na vesícula, mas não vem ao caso. O presidente/burlão fiscal ficou "feliz" com o abandono: "Há anos que Ozil joga uma merda." E é verdade. Ozil tem jogado uma merda, no Arsenal e na seleção alemã. Até pode ser verdade também que esteja a usar o episódio como escapatória para uma carreira em declínio precoce. Mas, aos olhos de muitos alemães, Ozil é turco e ser turco é defeito. O que Hoeness fez, com aquele "quero lá saber do próximo" tão teutónico, foi acicatar os racistas, primeiro contra Ozil, claro, mas depois contra o turco e a seguir contra os turcos. E, com certeza, acicatou pessoas mais lúcidas contra essa outra raça, cada vez mais duvidosa, dos dirigentes de futebol.

2 O Conselho de Disciplina decidiu pôr a correr o processo contra o Santa Clara por ter utilizado como treinador principal uma pessoa sem a necessária qualificação. Neste preciso momento, há treinadores principais na I Liga exatamente na mesma condição e na época passada também houve. A eventual diferença está nisto: fingem que o treinador principal é outro. Ou seja, o Santa Clara pode ser castigado, apenas, por não fazer do CD e dos regulamentos palhaços. Era o que faltava.