Premium Ensaio sobre a hegemonia de Benfica e FC Porto

Ensaio sobre a hegemonia de Benfica e FC Porto
José Manuel Ribeiro

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Sérgio Conceição superou o Benfica destes três anos e mesmo o Lage das Taças. Mas o Lage da Liga estraga as contas

Ouço na televisão: o Benfica chega hegemónico ao Dragão, onde o espera um FC Porto desesperado e em crise. A tese não é indefensável (já lá vamos), mas os números crus falam de uma realidade muito diferente daquela taxativa que ouvimos dos comentadores, portistas incluídos. Desde 2017/18, a equipa A ganhou 107 vezes em provas oficiais e perdeu 18; a equipa B ganhou 96 vezes e perdeu 24. Na Liga, a primeira fez 220 pontos, contra 222 da segunda. Ganharam ambos um campeonato e uma supertaça, mas a equipa A chegou a três finais e jogou os oitavos e os quartos-de-final da Champions, enquanto a equipa B foi sempre eliminada na fase de grupos da Champions e não atingiu qualquer final interna (e só por duas vezes esteve em meias-finais).

Se perguntássemos a um cidadão da Mongólia acabado de aterrar em Beja qual destas equipas seria o Benfica hegemónico, ele só poderia responder, esforçando mesmo muito o adjetivo "hegemónico", que é a equipa A (FC Porto). Mas há um grande senão, que está noutro número, e do qual Sérgio Conceição não pode fugir. Apesar dos resultados contrastantes em todas as outras competições, o Benfica de Lage fez, num ano, mais 16 pontos do que o FC Porto no campeonato. Não sei se chega para se falar em hegemonia, mas é um facto tão concreto como os anteriores. Dezasseis pontos são uma diferença que o Benfica não vê desde os anos 70 e que só o FC Porto foi conseguindo atingir. É claro que são importantes e que pressupõem uma viragem histórica, mesmo para quem prefira entendê-la como resultado do talento especial de um treinador, em vez da real diferença entre clubes.