Encher estádios é encher o título

Encher estádios é encher o título
José Manuel Ribeiro

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Encher estádios é encher o título

Estiveram 58 mil adeptos no Estádio da Luz, ontem à tarde. A hora ajudou, mas o cartaz nem era fenomenal. As grandes casas costumam estar reservadas para os tubarões, ainda que essa tendência contrarie a lógica e aquele que devia ser o interesse dos benfiquistas. Se é verdade que, nos clássicos, as temperaturas são outras, as probabilidades de uma tarde feliz e empanturrada são infinitamente maiores quando a visita é uma equipa posta a jeito. Cinquenta e oito mil adeptos equivalem a vinte estádios cheios na II Liga, que é de onde o Feirense vem. Ontem, foi como se jogasse toda a primeira volta do campeonato passado em noventa minutos. Acabamos por quase compreender os dois autogolos que abriram a goleada se imaginarmos a tensão criada por um ambiente assim sobre quem, de certeza, nunca o tinha experimentado na carreira. Definitivamente, não é pelos relatórios e contas (como os revelados anteontem pelo "Expresso", sem surpresas) que se percebe o renascimento do Benfica; e nas avaliações ao futebol também há sempre exageros clubistas: o número que mais deve preocupar os adversários FC Porto e Sporting é o das lotações. Cinquenta e oito mil adeptos (tinham sido 56 mil com o V. Setúbal) ajudam a ganhar, sobretudo porque são também oito ou dez mil em Braga, oito ou dez mil em Guimarães, talvez outros tantos no Bessa, e enchem Tondela, Arouca, Paços de Ferreira, etc., etc. Há sempre a possibilidade de comprar melhores jogadores e encontrar melhores treinadores, mas pôr quase 60 mil pessoas num estádio em dia de jogo com o Feirense? Boa sorte.