E se os treinadores não fizessem de conta?

E se os treinadores não fizessem de conta?
José Manuel Ribeiro

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Nuno Espírito Santo indigna-se pelo mérito que quiseram roubar-lhe em Alvalade, mas era mais útil que pedisse satisfações à classe dele

Na última jornada da I Liga, três equipas fizeram jogos muito bons e os três notáveis adversários delas fizeram jogos maus ou assim-assim. Rio Ave e Estoril conseguiram empates (Sporting e FC Porto, respetivamente) e o Vitória de Guimarães perdeu, mas com um enredo semelhante. Se fosse preciso, lá havia um penálti por marcar à disposição das queixas do Benfica que haveria de levar à mesma desdita dos outros dois jogos: um debate de vários dias sobre arbitragem que deturparia totalmente os acontecimentos, atiraria para os lapsos dos árbitros um peso que eles não tiveram e, acima de tudo, negligenciaria o papel do futebol jogado.

Compreende-se muito bem que a pimenta chegue ao nariz de Nuno Espírito Santo, treinador do Rio Ave: "O que conquistámos em campo deve-se ao nosso trabalho e não a poderes supremos ou declarações que tenham a capacidade de condicionar resultados noutros campos. "Em português mais curto, ele quis dizer foi que não empatou em Alvalade por causa do sistema nem porque Jorge Jesus condicionou os árbitros. E é verdade. Como continuará a ser verdade, nove em cada dez vezes, quando ele ou outro dos muitos treinadores que já se sentiram desconsiderados deste modo, fizer exatamente a mesma maldade a um adversário que o supere.

Por isso, a indignação que sentem nestas ocasiões é útil e deve ser guardada na memória para quando a tentação bater à porta, ou melhor ainda, para fazer algo que nunca na História aconteceu: uma discussão interna, na classe dos treinadores, sobre o respeito que deviam ter pelo trabalho do outro e o que de mau os comportamentos de alguns deles trazem ao futebol. Quando as galinhas tiverem dentes.