E se a FPF se profissionalizasse primeiro?

E se a FPF se profissionalizasse primeiro?
José Manuel Ribeiro

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Erros nas classificações dos árbitros ou previsões falaciosas do número de jogos vão dar ao mesmo

No futebol, poucos temas haverá menos discutíveis do que a profissionalização dos árbitros. Tudo se profissionalizou nos últimos vinte anos - os diretores, os presidentes de clubes, o presidente da Liga, o presidente da FPF e até os estádios - e o que já estava profissionalizado profissionalizou-se ainda mais: os treinadores passaram a sair das universidades já com a profissão na testa, ao lado dos advogados, farmacêuticos e engenheiros; os médicos especializaram-se no desporto e nasceram profissões, como assessor de Imprensa, observador, gestor desportivo, diretor de comunicação ou diretor de "scouting".

Ser roupeiro já exige bem mais conhecimentos da área do que dobrar e passar a ferro e até há chefes de claque que preenchem mais requisitos do profissionalismo do que um chefe de repartição das Finanças. O futebol em Portugal passou a ser um mundo em que a ignorância de um detalhe pode significar uma desvantagem decisiva. E tudo cai, dizem, nos ombros dos árbitros amadores, para quem a bola só existe fora das horas do expediente, como acontece aos colecionadores de selos ou àquele pessoal que tira fotografias aos aviões a aterrar nos aeroportos.

Esta época, a classificação dos ditos árbitros foi mal feita: tinha erros, dados que, segundo o presidente do Conselho de Arbitragem, foram mal introduzidos e precipitados por um número de jogos, nacionais e internacionais, de que o CA não estava à espera. Outra tese é a de que o erro estava na própria fórmula de cálculo da classificação. Não importa. Dados mal introduzidos, fórmulas mal testadas e Conselhos de Arbitragem que não sabem prever o número de jogos têm o mesmo significado: há muita gente a precisar de profissionalização e com bastante mais urgência do que os árbitros. E alguns até serão profissionais.