Coro dos tribunais

Os estatutos, as leis e os contratos assinados não se alteram com sessões de esclarecimento do presidente do Sporting

A Doyen, os ex-presidentes, Marco Silva, a Gestifute, os sportingados, as televisões, os jornais, os comentadores, Octávio Machado, Jorge Jesus, a Holdimo, a Liga, a FPF, José Meirim, a banda do Sporting, os jogadores, os médicos, os fisioterapeutas, o fulano do catering, Marta Soares, António Salvador, os membros da mesa da AG, os membros do Conselho Fiscal, os membros do Conselho Leonino e alguns eteceteras de que não me lembro agora. O problema não pode estar nesta gente toda, por mais sessões de esclarecimento que o presidente do Sporting faça para abater cada um. Ao contrário do que Bruno de Carvalho parece pensar, a chegada dos tribunais ao problema sportinguista não é uma boa notícia para ele, porque os estatutos dos clubes, as leis e os contratos assinados não se alteram com a retórica, nem com pequenos truques de manipulação (é para isso que lá está Nuno Saraiva?) como a repetida divulgação de comunicados em cima da hora de fecho dos jornais, para não serem mitigados pelo contraditório. O presidente não faz o que quer, por muito que ele o tenha repetido aos jogadores, segundo a carta de rescisão de Rui Patrício. Por outro lado, a retórica funciona junto de quem já está arregimentado, mas todos os outros (e são muitos) veem facilmente para lá das artimanhas, ou foram eles próprios alvos das constantes vagas de insultos, insinuações e, pelo menos no caso da Imprensa, de algumas mentiras. Bruno de Carvalho pode esperar justiça, como qualquer cidadão, mas seria pouco inteligente esperar também boa vontade. Os tribunais não o verão pelos olhos do público de uma sessão de esclarecimento.