Como os Estados Unidos tratam as campeãs a pontapé

Como os Estados Unidos tratam as campeãs a pontapé
José Manuel Ribeiro

Tópicos

A seleção feminina dos EUA ganhou o Mundial pela quarta vez, bateu recordes de vendas e audiências, mas até comida recebe menos que os homens

Este artigo não versa sobre o futebol feminino, mas sobre algo completamente diferente: o futebol da seleção feminina dos Estados Unidos, que ontem juntou o quarto título mundial às suas quatro medalhas de ouro olímpicas . A eliminatória dos quartos-de-final, com a França, foi o jogo de futebol mais visto em canais norte-americanos de língua inglesa desde o Mundial masculino de 2018. Uma hora depois da final, a Nike tornava público que a camisola desta seleção se tornou a mais vendida de sempre no seu site, feminina ou masculina. E já existem números destes há vários anos.

Apesar disso e sem necessidade aparente, a federação trata de forma muito diferente homens e mulheres. Eles viajam com mais conforto, gozam de bastante melhores condições de trabalho e até lhes dão mais comida ["The National Team: The Inside Story of The Women Who Changed Soccer"*], para além de terem remunerações não só muito maiores como, sobretudo, desproporcionais relativamente às receitas que cada seleção gera.

Quando Megan Rapinoe, ontem eleita melhor jogadora do Mundial, ajoelha durante o hino e diz que não porá os pés "na merda da Casa Branca", é capaz de ter uma ou duas razões para estar irritada com Trump e com o Congresso dos EUA. A própria FIFA, como lembra o site "Politico.com", acha a relva artificial desaconselhável para os homens, mas obrigou as mulheres a jogar o Mundial de 2015 em relvados de plástico, a troco de patrocínios, conseguem adivinhar?, da indústria de relva artificial.

Aquele lilás do cabelo de Rapinoe é a cor de uma indignação mais do que justificada.

*"A Seleção Nacional: A História Secreta das Mulheres que Mudaram o Futebol", livro de Caitlin Murray