Candidatos

José Manuel Ribeiro

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Um treinador que corra pelo título tem de saber responder a uma só pergunta.

Ser treinador de um pretendente ao título em Portugal é, literalmente, ser capaz de responder a uma só pergunta: como contornar equipas que se defendem com dez homens mantendo, ao mesmo tempo, as costas seguras? O advento de Jorge Jesus no Benfica abriu as portas a uma questão subsequente: como faço para ganhar na liga portuguesa com um estilo que, depois, não dê cabo de mim na Liga dos Campeões? Por geniais que sejam as soluções encontradas, todos os candidatos acabam por ter, em cada época, vários jogos de bloqueio total, por esta ou aquela razão. A mais comum é a progressiva adaptação dos adversários à forma de jogar do candidato, o que obriga o treinador a ser muito criativo ou, em alternativa, a dispor de jogadores desconcertantes. Não há grandes provas de que a resposta a esse problema, em cada campeão nacional, não tenha sido sempre a segunda, de Jardel a Jonas, passando por Hulk e Gaitán. Ou seja, o problema tático que o treinador tem de resolver também é maior ou menor consoante o material humano que lhe dão. Quando se fala da permanência ou saída de Nuno Espírito Santo e Jorge Jesus, são estas as coordenadas em avaliação: tiveram jogadores equivalentes aos adversários? Aproveitaram-nos bem? Foram criativos o suficiente quando os bloqueios apareceram? Encontraram uma fórmula equilibrada que possa garantir, no futuro, o campeonato e a coleta anual na Liga dos Campeões? Que peso dar ao facto de os jogadores do FC Porto terem no Dragão, em média, metade das épocas que cada jogador do Benfica tem na Luz? Como escreve hoje o Manuel Queiroz (pág. 21), a maior parte destas perguntas não pode ser respondida honestamente de fora para dentro. Só quem viveu o processo com os treinadores e com as equipas está habilitado a fazê-lo.