Benfica-Sporting

José Manuel Ribeiro

Tópicos

Há uma guerra particular, e irrelevante para o futebol, a esgotar os recursos da FPF e da Liga

Bruno de Carvalho e Octávio Machado foram suspensos num processo aberto em novembro de 2015. Normalmente, seria adequado apontar-se os canhões à morosidade-da-justiça, mas este é um caso especial no qual outras questões têm prioridade. Há um ano discutíamos a lentidão do processo a Slimani, que joga à bola. Bruno de Carvalho e Octávio Machado não jogam à bola, tal como Luís Filipe Vieira não joga à bola, nem os autores do comunicado benfiquista de ataque à FPF que o Conselho de Disciplina decidiu processar na semana passada. Os castigos que quaisquer destes personagens possam receber são irrelevantes para o futebol de todas as maneiras possíveis. Não fui ver as listas, mas já vamos em quase três anos de monopolização do espaço mediático e dos serviços jurídicos da Federação e da Liga pelas queixas, intrigas, maquinações e birras de Benfica e Sporting. São usados como banais instrumentos da comunicação dos clubes (ou pior, dos egos), sem nenhum efeito prático que não seja vender uma imagem qualquer. Há, literalmente, dezenas de pessoas na Federação e na Liga que ocupam parte substancial dos seus horários laborais a trabalhar nisto, sob pressão, como se fosse importante para mais alguém; como se o futebol morresse amanhã; como se não fossem encenações; como se, nos gabinetes, os sentenciados não se rissem dos castigos (Bruno de Carvalho vai dar uma entrevista já hoje). Como se não houvesse já processos suficientes e sérios.

Nota 1: o irónico do castigo a Bruno de Carvalho é que questionar as nomeações dos árbitros feitas por Vítor Pereira era incontornável. Disse o que todo o futebol pensava, a começar pelos árbitros.

Nota 2: a Federação alheou-se ontem da claque da seleção, numa espécie de comunicado unissexo que pretendeu não escolher um lado. Mas escolhendo.