As semanas-chave do campeonato

José Manuel Ribeiro

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Muito do que aconteceu na última Liga ficou logo escrito na pré-época. Do campeão aos altos e baixos do segundo e terceiro

São os jogadores que ganham e perdem campeonatos. O Benfica campeão disparou quando começou a usar o médio (Renato Sanches) que, claramente, lhe faltava em agosto. O Sporting descarrilou quando, numa quebra de Slimani, precisou do segundo ponta de lança e ele não esteve lá (e como seria se Mitroglou tivesse seguido para Alvalade?). O FC Porto entrou em coma com o fanico psicológico do avançado Aboubakar, nos últimos meses de 2015, agravado pelo excesso de fé na contratação de um suplente (Pablo Osvaldo) com um histórico duvidoso e, talvez, pela ausência de um médio atacante numa floresta de oitos. Muito do que foi a última época decidiu-se entre junho e agosto, em gabinetes e halls de hotéis. Há sempre apostas e uma percentagem de incerteza, que pode ser mínima, dependendo do perfil de quem se contrata. Mitroglou nunca foi um risco; Osvaldo e Teo Gutierrez eram-no, sem dúvida; esperar por Renato Sanches, fosse ou não esse o projeto inicial (não acredito), aproximou o Benfica da catástrofe. As boas decisões tomam-se agora, com alvos já delimitados: montar uma equipa que valha, pelo menos, 80 golos e 85 pontos no campeonato. Ou evitar que ela se desmonte, no caso do Sporting, sabendo que, mediante o sucesso desse objetivo, poderá, ou não, arrancar com um avanço considerável sobre os outros. Estas são as semanas cruciais da Liga. Na última época foram-no.