Amanhã à tarde o drama portista

José Manuel Ribeiro

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Os problemas do FC Porto não se resolvem em 90 minutos. Mas podem agravar-se nos 90 minutos seguintes

1. Durante três décadas, o campeonato foi o oposto do que veremos amanhã no Estádio do Dragão: o FC Porto sempre bem consolidado e o Benfica, época após época, desbaratando jogadores e treinadores à procura de uma receita mágica que nunca apareceu. O universo só mudou quando Luís Filipe Vieira se resignou a esperar três anos que Jesus aprendesse, se não a ganhar, pelo menos a não perder com o FC Porto. Nesse tempo, pela sombra (e com muito dinheiro), o Benfica construiu as bases de uma equipa, enquanto o adversário deixava que o mercado desfizesse as dele. Na defesa, no meio-campo e no ataque, o elemento com mais rodagem no campeonato e no clube será sempre do Benfica (Luisão, Samaris ou André Almeida e Salvio). Nada, portanto, que o FC Porto possa resolver em 90 minutos, ganhando ou perdendo. O único verdadeiro drama para os portistas será continuarem a olhar para cada jogo destes como o dia do juízo final, copiando aquele que foi o maior erro dos benfiquistas durante tantos anos. Ganhando ou perdendo, as necessidades do FC Porto serão, na segunda-feira, rigorosamente as mesmas de hoje.

2. Ontem, o Vitória não acabou com as dúvidas: massacrou-as. Era difícil conceber uma demonstração de tenacidade que ultrapassasse a saga do empate com o Sporting (de 0-3 para 3-3), mas aí está ela. Depois de semanas a olharmos para Guimarães e vermos só Marega (dez golos), o maliano resolveu contribuir para a causa com algo ainda melhor. Fez-se expulsar, deixando toda a gente ver a floresta por trás dele (pág. 20 e 21). O Vitória de Pedro Martins é exatamente aquilo de que a Liga precisava.