A emancipação nos jogos fora

José Manuel Ribeiro

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Quem joga uma das etapas-chave do campeonato esta jornada é o FC Porto

1 Não sei se a estratégia do "hoje pressiono-te eu, amanhã pressionas-me tu" em que o treinador do FC Porto investe é a melhor das ideias. O Benfica continua a ser a equipa mais calejada e o fim do campeonato está muito longe, ainda que possa ser (ele saberá) o combustível de que aqueles jogadores precisam. Mais do que esta marcação em cima jornada a jornada, importam algumas etapas-chave; umas quantas ilhas de oportunidade daqui até maio. O Arouca, que o Benfica mastigou e cuspiu ontem à noite, não era uma delas. Mas o V. Guimarães-FC Porto é, e o Braga-Benfica da próxima semana também, ainda por cima com a Liga dos Campeões entrançada. Pressionar o Benfica é emancipar-se dos jogos fora (em que ambos são mais frágeis) antes dele.

2 Nos últimos quatro anos, Bruno de Carvalho escreveu mais no Facebook do que Tolstói nos quatro volumes do "Guerra e Paz"; esteve mais tempo nas televisões do que o presidente da República e deve ter estabelecido (a sério) um recorde nacional de entrevistas. Entrou em contradição inúmeras vezes, por palavras e atos: nos fundos financeiros, na política de austeridade, na arbitragem, na diferença entre os critérios de avaliação dos presidentes que o antecederam e os dele próprio, etc. Teve excessos de todo o género, incluindo no vocabulário grosseiro. Em três das quatro épocas que administrou, a percentagem de fracassos nas contratações foi muito mais alta do que a dos adversários. Neste momento, está a milímetros de confirmar o desastre na operação de alto risco que foi o recrutamento de Jorge Jesus. E o candidato Madeira Rodrigues promete aos sportinguistas cadeiras verdes no estádio. Nem Bruno de Carvalho lhe escreveria guiões mais inconsequentes.