A deslealdade

Funciona quando se quer descartar responsabilidades para cima da Imprensa, mas é péssima receita para ganhar títulos

E a culpa destes dias caóticos no Sporting foi, evidentemente, da Imprensa, que inventou a suspensão de Jorge Jesus, como tinha inventado, depois de Madrid, a suspensão dos jogadores. Ao fim de cinco anos e de tantos, tantos casos (com o de Marco Silva à cabeça), só acreditam nisto os sportinguistas que tiverem mesmo muita vontade de ilibar o presidente desta catadupa de intervenções destrutivas. Mas o autor delas foi Bruno de Carvalho. Fiquemo-nos pelos factos: pela segunda vez, ele entra num conflito massacrante com um treinador, eventualmente repetindo a tentativa de o descartar pela via do processo disciplinar. (Nota: o dito processo disciplinar tem a vantagem acrescida de impedir que o treinador se mude para outro clube antes de haver decisão.) Pela enésima vez, entra também em conflito com jogadores, agora no plural, e alguns com um peso importante na história do Sporting. Entretanto, precisará de convencer mais treinadores a trabalhar com ele e de contratar reforços, que até já nem têm o chamariz da Liga dos Campeões para se deixarem seduzir. A não ser que haja grandes craques e grandes treinadores entre aqueles brunistas indefetíveis de que falei lá em cima, nem importam as opiniões: a cada episódio, mais difícil a vida do Sporting se torna; mais relutância têm as pessoas (as de top, pelo menos) em aceitar trabalhar lá e mais desconfortável e podre é a vida em Alvalade. A deslealdade funciona quando se quer sacudir responsabilidades para cima da Imprensa, mas não ajuda a ganhar títulos.