Qualidade individual e a treta do fair play

Qualidade individual e a treta do fair play
José João Torrinha

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O "crime" de Lindelof compensou assim lindamente: de uma falta sua para amarelo, nasce um golo da sua equipa

Para quem acredita que no futebol existe essa coisa chamada "justiça", os jogos contra equipas mais poderosas são, por regra, os mais injustos de todos.

Isso deve-se, por um lado, ao facto de essas equipas, independentemente da sua qualidade coletiva, poderem resolver jogos graças à qualidade das suas individualidades. Por outro lado, o poder dessas equipas não se faz sentir somente no campo, mas alastra a factores extra futebol jogado, que muitas vezes fazem pender a balança para o seu lado.

O jogo de ontem contra o Benfica, (tal como aquele jogado em Guimarães no ano passado entre as duas equipas) é exemplo disso mesmo.

Em termos daquilo a que se costuma chamar de jogo jogado, o Vitória não foi inferior em nada ao Benfica, tendo havido períodos do jogo (as primeiras metades das duas partes, designadamente) em que estivemos mesmo melhores que os encarnados. Jogamos sempre com grande intensidade, com os sectores bem ligados, com boa circulação de bola e chegamos muitas vezes com perigo ao último terço do terreno.

O que falhou então? Duas coisas, a meu ver. Em primeiro lugar, o Benfica, ao fim de um período em que o Vitória estava a ser melhor, foi eficaz e beneficiou de um lance de grande qualidade de um jogador seu. Com efeito, Salvio aproveitou bem uma abordagem menos conseguida da nossa defesa e depois inventou uma jogada excelente que deu em golo.

Em segundo lugar, aconteceu o lance do segundo golo. Um lance que começa com Lindelof a confundir futebol com judo no duelo com Soares. Continua com o árbitro a dar mal a lei da vantagem (a bola estava ainda no nosso meio-campo defensivo). Prossegue com o árbitro mais uma vez mal a não interromper o jogo com um jogador do Vitória caído e termina com o Benfica a provar que o slogan de um seu antigo treinador segundo o qual o fair play é uma treta continua bem vivo e atual para os lados da Luz. O "crime" de Lindelof compensou assim lindamente: de uma falta sua para amarelo, nasce um golo da sua equipa.

Já o ano passado tinha acontecido algo do género: três penáltis por marcar a favor do Vitória e o jogo decidido num lance de inspiração de Renato Sanches.

É duro enfrentar esta realidade ano após ano e não ver no futuro próximo sinais de que este estado de coisas se vai alterar.

Mas se há coisa que os vitorianos já demonstraram é que não vacilam perante o infortúnio, não se deixam abater ante resultados injustos, nunca desistem. O apoio que ontem, mais uma vez, do primeiro ao último minuto, os vitorianos deram à equipa, não sendo nenhuma novidade, foi mais uma prova de que somos, de facto, diferentes. Diferentes até no respeito pelo minuto de silêncio que se levou a cabo antes do início do jogo, onde boa parte dos adeptos benfiquistas se portou de forma vergonhosa.

Dito isto, há que olhar em frente e aproveitar já a próxima terça-feira para rectificar o resultado.