Júlio Mendes está em contraciclo no futebol português

Júlio Mendes está em contraciclo no futebol português

Enquanto pessoa que quer o melhor para o seu clube, deixo aqui alguns conselhos ao presidente que viu a sua legitimidade renovada.

Os sócios decidiram, são soberanos e está decidido. Júlio Mendes e a sua equipa foram os escolhidos para dirigir o clube no próximo triénio.

Enquanto pessoa que quer o melhor para o seu clube, deixo aqui alguns conselhos ao presidente que viu a sua legitimidade renovada.

A vida é feita de escolhas e equilíbrios difíceis. Das coisas que mais apreciei até aqui na gestão de Júlio Mendes foi o abandonar da linguagem populista e fácil que vem grassando no futebol português. Aquele discurso vazio, mas que apela aos sentimentos mais primários dos sócios, deixou de se ouvir. Todavia, aquilo que fica desse ato eleitoral é que há uma parte substancial dos sócios que se queixa que ninguém fala para eles. Entre não ser populista e estar de costas para os sócios às vezes vai um passo pequeno. Esta Direção tem, por isso, de gerir bem esse equilíbrio. Manter a postura de seriedade para com todos, mas não esquecer que, se não comunica bem a sua mensagem, muito do que faz pode ficar ameaçado.

Depois, a gestão desportiva. O clube, graças em boa medida à gestão destes homens reeleitos, está hoje em condições de ser gerido sem o cutelo da falta de dinheiro em cima das nossas cabeças. Isso obriga-nos a gerir melhor. Não a gestão dos tostões, mas a gestão dos homens a quem compete levar-nos à glória. Temos de aprender com os nossos erros e por isso não arriscar em experimentalismos inúteis e perceber que a gestão de um plantel não pode ficar na mão de um treinador. O treinador tem de ser um parceiro essencial na gestão, mas nunca deixará de ser funcionário do clube. A gestão é da responsabilidade do clube, que deve definir, com tempo, as suas opções. Com tempo. Uma coisa que não pode mais suceder é dar-se a ideia, justificada ou não, de que a composição do plantel se faz tarde e a más horas.

Finalmente, temos a questão do "grande salto em frente". Nestas eleições, ambas as listas prometeram ter meios para permitir que o Vitória dê o salto para outros patamares competitivos, questão essa intimamente ligada à da SAD e do respetivo controlo. Júlio Mendes fez-nos acreditar naquilo que alguns poderão catalogar como de quadratura do círculo: aumentar o nosso poder, sem que o clube perca as prerrogativas que hoje tem na SAD. Essa é uma promessa difícil, mas que os sócios lhe vão cobrar.

Umas palavras finais para Júlio Vieira de Castro e a sua equipa. Homens e mulheres cujo vitorianismo está acima de qualquer suspeita. Que deram o seu melhor e que convenceram muitos vitorianos das suas ideias e projetos. Todos somos poucos para servir o Vitória, seja onde for. Espero, sinceramente, que todos contribuam para que aqueles que nos dirigem sirvam o Vitória da melhor forma. Que todos nós, vitorianos, onde quer que estejamos, demos o nosso contributo para um Vitória maior. Viva o Vitória!