Vitamina CR7

Jorge Maia

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A viabilidade da candidatura de Portugal à vitória no Europeu depende, em larga medida, daquilo que Ronaldo for capaz de acrescentar ao ataque

Ronaldo chegou ao estágio de Portugal e trouxe com ele a promessa de apagar a imagem de equipa inofensiva que o jogo com a Inglaterra deixou a pairar no ar como uma assombração. E, não, não estamos a falar de Pepe e de tudo o que o central do Real Madrid pode acrescentar à defesa: aí, em boa verdade, já há agressividade até de sobra. Onde Portugal não fez mossa foi no ataque.

Ora, a questão é que Fernando Santos desenhou um modelo de jogo que, por um lado, responde à crónica escassez de pontas de lança de topo no futebol português e, por outro, explora o potencial ofensivo do CR7 sem comprometer a solidez defensiva. Por outras palavras, um 4x4x2 costurado à medida das características de Ronaldo e que, como é mais ou menos inevitável, acaba por ficar demasiado largo e desajeitado se for posto aos ombros dos jogadores menos encorpados que lhe servem de alternativa. Se tal como Fernando Santos tem feito questão de repetir, Portugal é candidato a ganhar o Europeu mesmo depois de ter perdido elementos tão influentes como Tiago, Bernardo Silva e Danny, isso depende em larga medida daquilo que Ronaldo for capaz de acrescentar à equipa.

Afinal, se é verdade que os adversários da fase de grupos não deverão colocar problemas muito maiores do que os que foram resolvidos durante o apuramento, para chegar à final de Saint-Denis, mais cedo ou mais tarde, vai ser preciso enfrentar equipas, no mínimo, do calibre da Inglaterra. E ganhar.