Teletrabalho no Sporting

Jorge Maia

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Se o vírus não ceder depressa, Frederico Varandas vai ter problemas para gerir o Sporting à distância

Confesso que me parece pouco menos que irrelevante se Frederico Varandas se voluntariou para servir o país durante o estado de emergência ou se foi "obrigado" a apresentar-se ao serviço pelo Exército.

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Portugal precisa de pessoal clínico para combater a Covid-19, Varandas é médico e neste momento é certamente muito mais útil para todos que exerça essa função do que a de presidente do Sporting. De resto, mesmo admitindo que a maior parte dos clubes portugueses é gerida num regime próximo do despotismo mais ou menos iluminado, com os respetivos presidentes no papel de "Rei-Sol", é de supor que uma instituição da dimensão do Sporting não dependa da presença de uma pessoa para continuar a funcionar. Aliás, o Conselho Diretivo, a que Frederico Varandas preside, é um órgão colegial, enquanto na SAD há mais quatro administradores executivos, pelo que a ausência temporária - sublinho o "temporária" - do presidente não deverá ser dramática.

Dito isto, é evidente que o teletrabalho está longe de ser a forma ideal de dirigir um clube, especialmente em contexto de crise. O Sporting, como todos os clubes portugueses, enfrenta um momento particularmente delicado, com a evolução da pandemia a alterar as circunstâncias a um ritmo quase diário. Mais cedo ou mais tarde, por exemplo, vai ter de se decidir como desatar o campeonato, uma discussão da qual o Sporting não se pode abster e onde o peso institucional do presidente do clube terá certamente relevância.

Depois há todas as questões relativas à preparação da próxima época e à negociação de entradas e saídas de jogadores, que dificilmente podem ser devidamente atendidas por telefone. Frederico Varandas está onde tem de estar agora, mas não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se a situação se prolongar, e todos esperamos que não, isso pode ser um problema.