Sem torcer nem quebrar

Jorge Maia

Tópicos

Rui Vitória continua a destruir os mitos que Jesus construiu à volta dele

Há uns meses, quando venceu o Atlético de Madrid no Vicente Calderón, onde os colchoneros já não perdiam para a Liga dos Campeões desde 2009/10, Rui Vitória provou que era possível ao Benfica construir uma equipa de calibre Champions utilizando jogadores da formação, como Nélson Semedo ou Gonçalo Guedes, sem ter de os obrigar a nascer dez vezes. Ontem, o treinador encarnado provou que é possível o Benfica discutir o título sem ter de abdicar da Liga dos Campeões, e isso mesmo sem que o presidente tenha chegado a cumprir a promessa de lhe pôr nas mãos um Ferrari com a mesma cilindrada dos que outros se habituaram a conduzir.

Ora, a aposta na formação e o respeito pela história do Benfica na Liga dos Campeões foram precisamente dois dos motivos que levaram Luís Filipe Vieira a dar por encerrado o ciclo de Jorge Jesus na Luz e a chamar Rui Vitória para o lugar dele. Depois do triunfo em Alvalade e na sequência da exibição personalizada em S. Petersburgo frente a um Zenit armado até aos dentes, é pelo menos tentador dar a aposta de Vieira por ganha. Por outro lado, talvez seja sensato não ignorar a experiência ganha por Jesus ao longo dos seis anos que passou na Luz até se tornar num eurocético radical.

Como o agora treinador do Sporting gosta de repetir, o que interessa não é como começa. Aliás, nem sequer é como quando vai a meio: é como acaba. E agora que ficou claro que é possível ter um Benfica competitivo com jogadores da formação e que não é inevitável abdicar da Champions para atacar o título, falta saber se é possível aguentar o ritmo até ao fim. Os rivais esperam que não.