Seleção prevenida...

Numa competição tão condensada como é um Mundial, manter as segundas linhas preparadas para responder é meio caminho andado.

Se houvesse dúvidas sobre as inúmeras vantagens de não deixar para o último jogo o apuramento que se pode resolver nos dois primeiros, Bélgica, Alemanha e Espanha trataram de as esclarecer ontem. Belgas e alemães ficaram pelo caminho e os espanhóis chegaram a ter um pé de fora, perdendo com o surpreendente Japão e acabando salvos pela vitória pírrica dos alemães frente à Costa Rica.

Luis Enrique suspirou de alívio no final do jogo com os nipónicos, mas Roberto Martínez já anunciou a saída do cardo cargo de selecionador da Bélgica e Hansi Flick vai precisar de um milagre para resistir ao verdadeiro escândalo que foi a eliminação madrugadora da Alemanha.

O carimbo que Portugal pôs no passaporte para os oitavos-de-final no jogo com o Uruguai garante que a Seleção está livre desse tipo de dramas esta tarde, quando defrontar a Coreia do Sul. Mais do que isso, assegura que Fernando Santos pode usar o último jogo da fase de grupos para preparar o que vem a seguir.

Claro que é importante assegurar o primeiro lugar, evitando o eventual encontro prematuro com o Brasil e garantindo mais um dia de descanso antes do próximo desafio. Mas é igualmente relevante ter a oportunidade de dar minutos às segundas linhas da equipa. No espaço de pouco dias, Portugal já perdeu Danilo, Nuno Mendes e Otávio para lesões, sendo que só o último deve voltar a ser opção e a intensidade do calendário vai continuar a cobrar juros nos músculos dos jogadores.

Para além disso, os cartões amarelo só "limpam" após os quartos de final, o que significa que, mesmo que sejam poupados hoje, Bruno Fernandes, Rúben Dias, João Félix e Rúben Neves voltam a estar em risco no jogo dos "oitavos". Ter opções rodadas, com ritmo de competição e prontas a render os habituais titulares pode fazer toda a diferença mais adiante.