Rui Pinto vai colaborar com a justiça portuguesa e essa é uma boa notícia, especialmente para a justiça portuguesa.
Rui Pinto está em prisão domiciliária, num apartamento controlado pela Polícia Judiciária, sem acesso direto à internet e com a obrigação de colaborar com a justiça.
Como acontece quase sempre nestas coisas, há quem veja o copo meio cheio e quem o ache meio vazio, discutindo se foi o Ministério Público a ceder ao hacker e à pressão cada vez mais generalizada para que os documentos revelados por ele sejam investigados, ou se foi o hacker a ceder ao Ministério Público perante a ameaça de ser julgado e condenado, pelos crimes que terá cometido, sem qualquer atenuante.
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A verdade é que, pelo menos a esta distância, é pouco mais do que irrelevante saber quem cedeu a quem. Aquilo que realmente interessa sublinhar é que, tanto quanto se sabe até agora, o acordo a que as partes terão chegado defende os melhores interesses da justiça. Desde logo porque garante que Rui Pinto continuará a ter de responder pelos crimes que terá cometido e, logo a seguir, porque abre a porta à possibilidade de investigação e eventual acusação de pessoas responsáveis por crimes tão ou mais graves ainda. Aliás, não custa recordar que as revelações do criador do Football Leaks já serviram para, por exemplo, castigar o Manchester City por desvios ao fair play financeiro da UEFA, condenar vários jogadores por fraude fiscal em Espanha e, fora do âmbito do futebol, denunciar as atividades ilegais da empresária Isabel dos Santos.
Perceber, finalmente, que a justiça portuguesa está tão interessada em responsabilizar Rui Pinto pelos crimes que cometeu como em investigar os crimes que ele revelou é certamente uma boa notícia, num tempo é que não há assim tantas para dar.
