Responsabilidade

O VAR não pode servir para aliviar os árbitros da obrigação de decidir

1 Há lances que faz sentido deixar correr, aproveitando a cobertura dada pelo VAR para evitar que eventuais erros sejam irreversíveis. Um fora de jogo duvidoso num lance de golo eminente, por exemplo. Uma falta discutível a meio-campo da qual resulta uma clara oportunidade, talvez. Agora, não faz sentido que os árbitros pura e simplesmente se abstenham de decidir em lances tão claros como foi o penálti cometido por Robson em Alvalade. É impossível que Fábio Veríssimo e o assistente que acompanhava o ataque do Sporting não tenham visto o lance e, vendo-o, é incompreensível que não o tenham assinalado de imediato. O resultado foi um amarelo que Bryan Ruiz não devia ter sido obrigado a forçar. O VAR é uma ferramenta de precisão. Se começar a servir de pau para toda a obra como forma de desresponsabilizar os árbitros pode acabar por ser pior a emenda que o soneto.

2 Uma semana depois da verdadeira batalha campal entre adeptos do Benfica que se seguiu ao clássico da Luz e da qual resultaram sete detidos e seis polícias feridos - "seis polícias feridos" é o tipo de expressão que merece ser repetida a ver se entra pelos olhos de alguns responsáveis adentro -, o silêncio e a inação do Estado, concretamente do IPDJ e da Secretaria de Estado do Desporto e da Juventude (SEDJ), para já não falar do Ministério da Administração Interna, criou as condições ideais para os confrontos a que se assistiu no final do Estoril-Benfica. Desta vez, houve adeptos encarnados que se deram ao trabalho de dar a volta ao estádio para forçarem a entrada na bancada central onde se multiplicaram as agressões, obrigando a uma intervenção musculada da GNR. Do IPDJ e da SEDJ, mais uma vez, nem uma reação, só silêncio que também passa uma mensagem clara: quem cala, consente.