Renato Sanches na manga

Jorge Maia

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A energia, rapidez e profundidade que Renato Sanches acrescenta à Seleção implica riscos

Talvez seja interessante acrescentar alguns números à discussão em torno da utilização de Renato Sanches como titular por Fernando Santos. Tome-se o jogo com a Croácia como exemplo. Antes de Renato Sanches ter entrado, aos 50", os croatas tinham conseguido armar três remates à baliza de Rui Patrício. Depois da entrada do jovem médio contratado pelo Bayern remataram 14 vezes, duas delas com o perigo que todos ainda recordamos, antecipando o sonoro suspiro de alívio que acompanhou o golo de Quaresma. Em contrapartida, com ele em campo, Portugal marcou três dos cinco golos apontados até agora no Europeu.

É indiscutível que Renato Sanches acrescenta energia, rapidez e profundidade ao meio-campo de Portugal, tal como acrescentava ao do Benfica, mas fá-lo à custa de uma relativa anarquia tática que implica riscos. No campeonato português, frente a adversários quase sempre inofensivos, esses riscos eram facilmente negligenciáveis em face dos benefícios. Num Europeu, com jogos a eliminar disputados frente a adversários que colocam problemas mais complicados de resolver, os riscos que Renato Sanches acarreta precisam de ser devidamente ponderados. E é isso que Fernando Santos tem feito, explorando o potencial agitador do jogador mais jovem do Europeu sem expor demasiado a equipa aos seus excessos.

Seria impossível consegui-lo dando-lhe a titularidade? Provavelmente, não. Mas não é difícil perceber que a capacidade de aceleração do jogo que Renato acrescenta à Seleção tem outro impacto quando os defesas adversários já levam meio jogo de desvantagem nas pernas.