Proibido pensar no empate

JOGO FINAL - Uma opinião de Jorge Maia

Há um processo psicológico, a que os estudiosos desses emaranhados cerebrais chamaram de Teoria do Processo Irónico, e que faz com que a tentativa deliberada de suprimir determinados pensamentos apenas os torne mais frequentes.

Por exemplo, se pedirmos a alguém para não pensar num urso polar, é inevitável que o sujeito da experiência comece imediatamente a pensar num urso polar. Experimente e vai ver que não falha. Ora, os processos mentais irónicos foram demonstrados por inúmeros especialistas e normalmente são agravados por estados de stress. Serve a longa introdução para chegar à Seleção Nacional. Tenham paciência que a aula de psicologia vai fazer sentido já a seguir. Ao longo dos últimos dias, nas várias conferências de Imprensa de antevisão do jogo com o Uruguai, tanto os jogadores como o próprio selecionador têm sublinhado a importância de Portugal não entrar em campo a pensar no empate. Estão a ver? O empate é o urso polar da Seleção.

Quanto mais os jogadores e o selecionador se esforçam por não pensar nele, mais frequente se torna o pensamento de que, bem vistas as coisas, o empate não era nada mau. O Uruguai é teoricamente o adversário mais complicado do Grupo H, está pressionado pelo nulo frente à Coreia do Sul e acabar a segunda ronda com quatro pontos seria mais de meio caminho andado para os oitavos

. Claro que, por outro lado, a história recente da Seleção demonstra para lá de qualquer dúvida razoável que Portugal tem o mau hábito de ligar o complicómetro quando há dois resultados para gerir. Mas pensemos positivo: se as coisas correrem mal hoje, não haverá nada para gerir frente à Coreia do Sul. E não ter alternativa a não ser ganhar ajuda muito no momento de afastar maus pensamentos.