O melhor jogador do mundo são dois

O melhor jogador do mundo são dois

O diretor adjunto de O JOGO escreve sobre o duelo no topo do futebol mundial que parece não ter fim à vista

Os dois golos que Messi marcou ao Liverpool relançaram a discussão sobre o título de melhor jogador do mundo. Acontece sazonalmente. Em março, por exemplo, os três golos com que Ronaldo eliminou o Atlético de Madrid depois de uma derrota da Juventus no jogo da primeira mão tiveram o mesmo efeito. Há mais de uma década que é assim, o que diz tudo sobre o privilégio que foi partilhar os últimos 15 anos com dois dos mais brilhantes jogadores de todos os tempos e o disparate que é cair na tentação de escolher entre um e o outro. Provavelmente, Ronaldo foi o melhor jogador do mundo em março, Messi é o melhor jogador do mundo em abril, e maio está agora a começar. Certo, pelo menos tão certo como qualquer prognóstico pode ser nesta altura, é que mais uma vez estarão os dois juntos a discutir a Bola de Ouro e o prémio The Best lá mais para o fim do ano, provavelmente acompanhados pelo outsider deste ano - todos os anos há uma variável onde eles são a constante. Já adivinhar qual deles será o eleito desta vez é mais complicado. Messi ainda não eliminou o Liverpool e, se o conseguir, terá uma final da Champions para jogar. Seria interessante perceber, por exemplo, até que ponto este Barcelona é mais capaz de lidar com o vertiginoso futebol do Ajax do que foi a Juventus, mesmo considerando que a solidez da equipa de Valverde depende menos de Messi do que a Vecchia Signora dependia de Ronaldo. Depois, o CR7 ainda tem a hipótese de ser o primeiro a vencer a Liga das Nações, que vai disputar em casa. Bem sabemos que os dois últimos "ensaios" da Seleção após o regresso do capitão não foram exatamente auspiciosos - dois empates com a Ucrânia e a Sérvia -, mas as provas a eliminar sempre foram o habitat natural de Ronaldo. Claro que para Portugal vencer a Liga das Nações, será preciso mudar algo na Seleção, desde logo na relação da equipa com o capitão. Para cumprir todo o seu potencial, Portugal tem de aprender a jogar com Ronaldo e não exclusivamente para Ronaldo, tornando-se não apenas numa equipa mais imprevisível e por isso mais difícil de anular, mas numa que também impeça que os adversários se sintam à vontade para mobilizar todas as forças no sentido de bloquear apenas um jogador. Quem tem Bernardo Silva, João Félix, Rúben Neves ou Bruno Fernandes não se pode encolher até ficar do tamanho de um só jogador. Mesmo que seja o melhor do mundo, se não em maio, pelo menos em junho.