Mensagem clara

Os sócios e adeptos do Sporting estão ao lado dos jogadores no conflito com Bruno de Carvalho

Às vezes, o otimismo em relação à natureza humana leva-nos a ignorar tudo o que sabemos sobre a personalidade de uma pessoa. Foi o que aconteceu no sábado, quando, ingenuamente, imaginámos que Bruno de Carvalho tinha recuado, colocando os interesses do clube acima de tudo, incluindo de si próprio. Como se tornou evidente ao longo do dia de ontem, não recuou: estava apenas a ganhar balanço. Pouco antes do jogo com o Paços de Ferreira, numa altura em que a equipa devia estar concentrada, o presidente do Sporting voltou a atacar, emitindo um comunicado em que insistia em criticar os jogadores, desta vez identificando os líderes da pretensa rebelião como aqueles que, "há anos, exigem sair do clube de todas as maneiras e feitios" e sublinhando que apenas não houve lugar a suspensões porque essa seria somente "mais uma desculpa para que não cumprissem as funções e as obrigações para que são pagos". Um ataque violento dirigido em particular ao carácter de alguns dos maiores símbolos do Sporting atual, e em geral ao profissionalismo de todo o plantel: tudo em nome daqueles que "são de facto o maior ativo e património do clube, os seus sócios e adeptos". Pois bem, a resposta dos sócios e adeptos presentes em Alvalade - até o presidente há de considerá-los uma amostra significativa - a tais preocupações foi clara: estão ao lado dos jogadores. Um otimista em relação à natureza humana era capaz de ceder à tentação de imaginar que Bruno de Carvalho percebeu a mensagem, mas a intervenção na sala de Imprensa, no final do jogo, acaba com qualquer ilusão.