Mais justiça é uma boa notícia

Jorge Maia

Tópicos

Primeiro balanço ao arranque do videoárbitro

A primeira paragem do campeonato também é uma boa altura para um primeiro balanço ao funcionamento do videoárbitro (VAR). Ora, o VAR não resolveu todos os problemas da arbitragem, nem podia. Desde logo porque o âmbito limitado dos lances em que está autorizado a intervir deixa de fora dezenas de ações que qualquer adepto sabe serem capazes de influenciar o desenrolar de um jogo de forma decisiva. Depois porque, como já se previa, também pode falhar. Serve de exemplo o lance de Eliseu, que escapou ao vermelho depois de uma entrada destemperada sobre Diogo Viana, e que foi assumido pelo próprio Conselho de Arbitragem como um erro, em primeira instância do árbitro, mas também do VAR. Em contrapartida, há vários lances em que a intervenção do novo auxiliar se revelou decisiva para a correção de decisões erradas e, consequentemente, para a defesa da verdade desportiva. E esse é o principal dado a reter: sem VAR, Eliseu também teria escapado à expulsão, mas dezenas de outros erros teriam passado em claro, influenciando talvez decisivamente o rumo da competição. Claro que há arestas por limar, é óbvio que sobra uma enorme margem para debater critérios e é evidente que o próprio funcionamento do sistema obriga a uma adaptação cultural, desde logo pelo hiato que impõe, por exemplo, entra a marcação de um golo e a respetiva oficialização/festejo. Ainda assim, é indiscutível que, sem ser perfeito, o sistema acrescenta justiça ao jogo. E mais justiça, mesmo que seja daquela que tarda uns segundos, é sempre uma boa notícia.