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O Benfica joga a Champions no campeonato

1 - Bruno Lage diz que o Benfica não vai mudar de rumo por causa dos percalços na Champions e tem pelo menos uma boa razão para isso. Afinal, os encarnados são a única das cinco equipas portuguesas envolvidas nas provas da UEFA que ainda não perdeu pontos para o campeonato na sequência de uma jornada europeia, com a liderança isolada cá dentro a sustentar a aposta na secundarização da carreira lá fora. No fundo, até pelos onzes que escolhe, Lage está a jogar a Champions no campeonato. Não a desta época, mas a da próxima. Ser campeão significa o apuramento direto para a fase de grupos e quase 50 milhões de euros em caixa. Um objetivo mais fácil de atingir sem dispersão de energias a defender coisas tão vagas como "os pergaminhos do clube" ou "a dimensão europeia do projeto".

2 - Não é difícil compreender o espírito de lealdade que leva alguém a não denunciar um camarada de armas. Já é mais difícil de aceitar que o objeto dessa lealdade não assuma as suas responsabilidades, explorando as debilidades do sistema judicial e arrastando consigo para a lama quem o protege, bem como a dignidade da instituição que representa. Um pacto de silêncio entre os 11 agentes do Corpo de Intervenção da PSP acusados das "bárbaras agressões" - a expressão é do juiz - que deixaram um adepto do Boavista cego de um olho em 2014 impediu o Tribunal de Guimarães de identificar quem, de facto, cometeu o crime. Foram todos absolvidos, consta das notícias publicadas sobre o assunto, mas a verdade é que são todos culpados de terem traído a confiança que a sociedade deposita nas forças de segurança. Um dia triste para a PSP.