VAR ou não VAR

Ainda a falha do sistema de videoárbitro no FC Porto-V. Guimarães

As falhas técnicas do VAR, sendo admissíveis quando se fala em tecnologia de ponta, só são um problema para a credibilidade do sistema se não forem cabalmente explicadas, deixando zonas férteis para o crescimento de teorias da conspiração. Ainda assim, o mais recente "apagão" do VAR, no FC Porto-V. Guimarães, coloca algumas questões em relação às instruções que foram dadas aos árbitros no início da temporada. Desde logo, as orientações apontadas especificamente aos árbitros assistentes no sentido de retardarem a sinalização dos foras de jogo em zonas de finalização, deixando prosseguir lances que não sejam de decisão evidente. Num mundo perfeito, a instrução faz todo o sentido: porquê invalidar um lance de golo iminente por causa de um fora de jogo duvidoso se o VAR pode esclarecê-lo mais adiante? Ainda ontem, houve uma jogada do género revista e corrigida com sucesso no Tondela-Rio Ave. O problema surge quando o árbitro assistente arrisca e uma falha técnica, como a que aconteceu no Dragão, impede o VAR de funcionar. Talvez seja um quebra-cabeças irresolúvel, esse de encontrar o equilíbrio perfeito entre o risco de tomar uma decisão e o risco de não a tomar, mas é certamente um ponto que os árbitros terão de continuar a trabalhar. Por outro lado, talvez faça sentido ir um pouco mais longe ao nível da "publicidade" das questões que envolvem o VAR. Os italianos vão avançar esta temporada para a divulgação dos lances analisados nos ecrãs gigantes dos estádios. Por cá, até por limitações técnicas de uma boa parte dos recintos, talvez seja cedo para esse passo, mas há outros, mais curtos, que podiam ajudar. Por exemplo, informar as equipas e, sobretudo, o público presente no estádio da existência de uma falha técnica no VAR através da instalação sonora podia evitar situações de tensão e polémicas desnecessárias.