Preso por não ter cão

Considerando todas as limitações que ainda enfrenta, o Sporting jogou com o Arsenal da única forma que podia

José Peseiro foi criticado por falta de ambição no jogo de ontem. Pelos vistos, o facto de ter jogado com três médios-defensivos foi um sinal de que o Sporting entrou em campo para empatar o jogo ou, nas visões mais acintosas, para perder por poucos porque, como todos sabemos, só há uma maneira de ganhar jogos. Sensato seria meter a carne toda no assador e jogar ao ataque com o Arsenal, olhando olhos nos olhos do gigante inglês, nem que isso implicasse - como implicaria - passar o jogo todo em bicos de pés. O Sporting perdeu com o quarto classificado do campeonato inglês, uma equipa com receitas de 482 milhões de euros em 2017, que se deu ao luxo de jogar em Alvalade com Lacazette, Ozil e Iwobi no banco de suplentes e onde Danny Welbeck, autor do único golo da partida e titular da seleção inglesa de futebol nem sequer é um habitual titular.

E, mesmo descontando a eventual justiça das queixas de Peseiro em relação à arbitragem, a verdade é que os leões chegaram a equilibrar o jogo, pelo menos na primeira parte, acabando batidos por um erro de Coates, logo ele que até é o mais fiável dos defesas leoninos. O Sporting jogou com o Arsenal da única forma que podia: evitando expor-se, pressionando a saída de bola dos ingleses para a manter longe da baliza de Renan e tentando explorar a profundidade nas costas da defesa inglesa sempre que a oportunidade surgisse. Era um bom plano ou pelo menos o plano possível, traído pela falta de pernas para o concretizar, por falta de opções - convém lembrar que Bas Dost ainda não está disponível - e por um erro fatal. De resto, convém avivar algumas memórias: se há um par de meses alguém dissesse que o clube que Bruno de Carvalho deixou em frangalhos era capaz de vender cara uma derrota frente ao Arsenal, quem não se riria?