Papéis invertidos

Jorge Maia

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O FC Porto foi ontem o que o Benfica tem sido nos últimos clássicos da Luz.

1 - Consta que a necessidade aguça o engenho e os clássicos da Luz, incluindo o de ontem, têm tratado de o demonstrar. O FC Porto foi jogar ao estádio do Benfica à frente dos encarnados pela primeira vez desde 2011 e não se deu bem com o conforto proporcionado pela vantagem, assim como quem calça um par de sapatos dois números acima. O cartão amarelo a Casillas, aos 19 minutos, por perda de tempo, foi o primeiro sintoma desse desconforto de uma equipa que não está habituada a jogar com um pé atrás, mesmo que a utilização de Soares e Marega no onze titular sugira outra coisa. No fundo, o FC Porto foi ontem o que Benfica tem sido nos últimos clássicos e vice-versa: de um lado, uma equipa desequilibrada pelo dilema de ter dois resultados para gerir e do outro, um grupo focado no único desfecho que interessa. Muitas vezes é quanto basta para fazer a diferença entre duas formações tão equilibradas. Claro que, sendo importante, a vitória dos encarnados no jogo de ontem não tem como ser decisiva após sete jornadas. Se, por um lado, os encarnados já disputaram os dois clássicos da primeira volta, por outro, têm de visitar o Dragão e Alvalade na segunda. Já o FC Porto, que perdeu a oportunidade de chegar à liderança, leva tantas derrotas como em toda a última temporada. Talvez Sérgio Conceição tenha razão quando diz que podem ser as únicas da época e todos sabemos que as contas se fazem no fim, mas nunca é cedo de mais para começar a somar.

2 - Por falar em somar, o Portimonense subtraiu três pontos ao Sporting, que continua a dar-se mal com as ressacas das semanas europeias. Todos sabíamos que esta seria uma época complicada para os leões, mas perder de forma tão clara no terreno do último classificado tem de acionar o alarme em Alvalade.