O tempo a contar

Apesar da vitória frente ao Moreirense, é evidente que o Sporting parte com atraso para a corrida ao título

1 - Suada como foi, a vitória do Sporting sobre o Moreirense autoriza duas conclusões: os leões partem mesmo para a corrida ao título 2018/19 com um atraso significativo na preparação em relação aos rivais de sempre, bem mais autoritários nas respetivas estreias, e essa desvantagem só não é mais significativa porque Sousa Cintra conseguiu recuperar Bruno Fernandes e Bas Dost para a equipa. Não é difícil imaginar que as dificuldades enfrentadas pelos leões em Moreira de Cónegos se tivessem revelado inultrapassáveis se José Peseiro não pudesse contar com o génio do médio português e a eficácia do avançado holandês para relativizar a desinspiração geral da equipa. Claro que, tal como o treinador referiu no final do jogo, o mais importante foi ganhar, não apenas os três pontos, mas também alguma paz de espírito e sobretudo tempo. Afinal, é de tempo que o Sporting precisa para recuperar algum do atraso para o FC Porto e para o Benfica que parece tão evidente agora. O problema, claro, é que, com um dérbi para disputar na Luz daqui por 15 dias, o tempo é um bem escasso para os lados de Alvalade.

2 - Nélson Évora é campeão europeu do triplo salto uma década depois de ter conquistado o ouro olímpico em Pequim e 11 anos após o triunfo nos Mundiais de Osaka. Em termos de longevidade ao mais alto nível numa modalidade de alto rendimento no panorama português, apenas Cristiano Ronaldo está no mesmo patamar, sendo que, felizmente, e ao contrário do que aconteceu com triplista, o CR7 nunca teve de lidar com lesões graves. Depois da fratura de stress que sofreu em 2012 e da artroscopia ao joelho esquerdo a que foi submetido em 2014, depois da recuperação longa a que se submeteu para voltar a competir, a conquista do ouro em Berlim aos 34 anos diz tudo sobre o talento, a disciplina e a resiliência de Nelson Évora. Um exemplo.