O pragmatismo aplicado ao dérbi

O Benfica precisa de sobreviver ao jogo com o Sporting. Ganhar será o ideal, claro, mas não perder também serve

Rui Vitória diz que não lhe interessa ganhar um jogo contra um clube grande se a seguir perder contra uma equipa qualquer. Provavelmente, a abordagem do Benfica aos clássicos com o FC Porto e o Sporting nunca foi assumida de uma forma tão clara pelo treinador dos encarnados. Tal como aconteceu nos últimos anos, tal como ficou claro no jogo do Dragão, o objetivo do Benfica nos jogos com os grandes é sobreviver-lhes, para decidir o campeonato a seguir, nos encontros com as outras equipas. Depois de amanhã, Rui Vitória vai jogar uma parte importante do resto da temporada frente ao Sporting. Nesta altura, e olhando para a sequência de resultados mais recentes, parece evidente que os leões estão mais fortes e mais estáveis, mas um clássico é sempre um jogo de tripla. A jogar em casa, em desvantagem em relação aos rivais, e apenas com o campeonato para disputar depois das eliminações na Taça de Portugal, na Champions e na Taça da Liga, seria de esperar que o Benfica assumisse a iniciativa do jogo para dar uma prova de vida. A questão é que foi em condições parecidas que os encarnados foram jogar ao Dragão e nem por isso deixaram de celebrar o empate arrancado a ferros frente ao FC Porto como se de uma vitória se tratasse. Com o campeonato ainda na primeira volta, com os rivais envolvidos em quatro frentes, o objetivo do Benfica para o dérbi com o Sporting é sobreviver. Ganhando de preferência, como é óbvio, mas sobretudo não perdendo. No fundo, garantindo que 2018 não começa pelo fim.