O futuro sem Ronaldo

Portugal mostrou frente à Itália que há vida para além do CR7, mesmo que tudo seja mais fácil com ele

Entrar a ganhar na Liga das Nações é bom. Fazê-lo quebrando um enguiço de 61 anos sem vitórias sobre a Itália em jogos a doer e, sobretudo, sem poder contar com Cristiano Ronaldo é ainda melhor. Um dia destes, inevitavelmente, as ausências do CR7 deixarão de ser exceções para se tornarem a regra e é bom perceber que há vida para além dele. Claro que ainda é uma vida frágil, até porque o início é sempre um momento delicado, e o nervosismo de quem dá os primeiros passos sem o suporte da experiência percebe-se melhor precisamente no ataque, onde a clarividência de Ronaldo sempre fez a diferença. Mas os jogos com a Croácia e a Itália provaram para lá de qualquer dúvida razoável que o futuro não tem de ser um lugar assustador para a Seleção Nacional. Fernando Santos encontrou uma nova fórmula para o meio-campo, com Rúben Neves a permitir o adiantamento de William, tão importante para o transporte da bola para o ataque, como para a recuperação de jogo ainda no meio-campo contrário. Depois há Pizzi, no melhor momento de forma de sempre, a combinar com Bernardo Silva e ainda a velocidade de Bruma e Cancelo a encurtar as distâncias para a baliza adversária. Problema, até porque ontem não houve erros defensivos a borrar a pintura, apenas a dificuldade para traduzir a produção ofensiva da equipa em golos. O que nos traz de volta a Ronaldo. Como Fernando Santos disse no final do jogo de ontem, nenhuma seleção fica mais forte sem o melhor do mundo e Portugal será sempre mais forte com Ronaldo, especialmente lá na frente, onde os jogos se decidem. A boa notícia é que, definitivamente, não é uma equipa de coitadinhos sem ele. Perguntem à Itália.