Premium O fair play é para totós

De cada vez que um clube manipula os processos que regulam o campeonato, há mais um bocadinho de credibilidade que se perde

Com alguma boa vontade, até se pode discutir que seja necessariamente um Marítimo mais fraco aquele que vai defrontar o Benfica na próxima jornada sem Edgar Costa e Joel Tagueu, que forçaram o quinto de uma série de cinco cartões amarelos, nem Zainadine, que viu o cartão na sequência da grande penalidade cometida sobre Valencia.

Afinal, três jogadores em risco de exclusão seriam três jogadores limitados frente ao Benfica, desde logo na agressividade defensiva, por estarem demasiado preocupados em não falhar os encontros decisivos para a luta pela permanência que vão disputar a seguir, evitando "meter o pé". Até por isso, mais do que a eventual influência na luta pela liderança, que foi o que atirou o caso para a ribalta, esta gestão dos castigos influencia diretamente a luta pela fuga à despromoção. Edgar Costa, Joel Tagueu e Zainadine, que estavam em risco de faltar à equipa mais adiante se jogassem na Luz, ficam com o cadastro limpo para a ponta final do campeonato. Esta de manipulação dos processos que regulam a competição, recorrente em Portugal, é punida pela UEFA ao abrigo do ponto 5 do artigo 15 do Regulamento Disciplinar, que pune a conduta antidesportiva com um jogo extra de suspensão.