Nova Seleção

Consta que em equipa que ganha não se mexe. Em equipa que ganha como Portugal ganhou à Polónia, ainda menos

1 Não deixa de ser significativa a forma como Fernando Santos fez questão de colocar água na fervura que a exibição de Portugal ontem levantou, garantindo que há muitos jogadores que não estão nesta equipa e que podem estar. O selecionador sabe que todos vimos o jogo de ontem. Nós e os tais jogadores que não estão. E sabe que tanto uns como outros percebem que dominar a Polónia como Portugal dominou na primeira parte, não apenas dando a volta a uma desvantagem, mas multiplicando as oportunidades na baliza de Fabianski, não é tão normal como ele quis convencer-nos que é e como nós gostávamos que fosse. Se numa equipa que ganha não se mexe, numa que ganha assim, ainda menos. É óbvio que nem tudo foi perfeito. O primeiro golo dos polacos nasce de um erro defensivo e o segundo resulta do adormecimento à sombra da vantagem. Mas não se vê, por exemplo, que margem existe para mexer no triângulo formado por Bernardo Silva, Pizzi e Cancelo no lado direito. Nem como tirar a clarividência de Rúben Neves à equipa ou como travar o crescimento de André Silva no ataque. Claro que se todos víssemos tanto como Fernando Santos, não seria ele o selecionador.

2 A presença de Bruno de Carvalho no DIAP um dia depois de Frederico Varandas ter dito que acabou o circo no Sporting situa-se ali, entre a ironia e a tragédia. Como uma catástrofe qualquer, não era de esperar que os efeitos da passagem de Bruno de Carvalho por Alvalade se apagassem em meia dúzia de dias e os próximos tempos podem tratar de o provar. A confirmar-se o envolvimento do presidente ou de funcionários do clube no ataque a Alcochete, ganham força os processos de rescisão unilateral avançados pelos jogadores e perde o Sporting. Outra vez.