Equipas grandes

O espetáculo proporcionado por Vitória de Guimarães e Braga dentro de campo dispensava bem o ruído que o acompanhou fora

1 - Abel disse que o Afonso Henriques foi palco para um jogo de equipas grandes, mas pecou por defeito. A verdade é que o Vitória de Guimarães-Braga foi bem mais intenso, disputado e interessante do que os últimos clássicos onde, demasiadas vezes, o receio de perder tem sido maior do que a vontade de ganhar. Ontem, houve duas equipas a querer a bola, a procurar a baliza adversária, a multiplicar as oportunidades e a consegui-lo sem nunca perder definitivamente o equilíbrio. No fundo, duas equipas com vontade de ganhar e a fazer por isso, tornando o empate final num resultado justo, embora curto para o espetáculo que proporcionaram dentro de campo. Fora é outra conversa. Uma das maiores rivalidades do futebol português dispensava o ruído provocado pela sucessão de comunicados que antecedeu a partida a propósito da localização dos adeptos visitantes, o atraso na entrada daqueles para o estádio e o apedrejamento do autocarro dos bracarenses à chegada a Guimarães. Desde logo, porque o espetáculo que as duas equipas proporcionaram merecia ser apreciado sem sombras a tapar-lhe o brilho.

2 - "Sabem quem é o treinador que tem mais vitórias na Liga dos Campeões com menos número de jogos?", perguntou Rui Vitória aos jornalistas. Pois, não sabíamos. Generosamente, o treinador do Benfica quis poupar-nos trabalho e disse que era ele próprio, mas tudo o que conseguiu foi arranjar uma carga de trabalhos e pôr toda a gente a fazer contas para concluir que está enganado. Claro que errar é humano e não será por acaso que a matemática é a disciplina mais detestada por qualquer estudante normal pelo que convém não empolar o caso. Ainda assim, fica o aviso: quando se quer dar um murro na mesa, convém garantir que se vai acertar em cheio para a coisa não fazer ricochete.