Dura lex, sed lex

O Ministério Público constituiu o Benfica arguido, o Benfica contestou a decisão: é a Justiça a fazer o seu caminho

1 - A violência da reação do Benfica à constituição da SAD encarnada como arguida no processo E-Toupeira - tão violenta, de facto, que terá de merecer uma resposta do Ministério Público - não deixa de significar um contraste significativo com aquela que foi, reiteradamente, a posição de aparente tranquilidade do clube perante as suspeitas que se foram acumulando ao longo dos últimos meses a propósito dos casos que o têm envolvido, fossem os "Vouchers", os "Emails", os "Resultados Viciados" - todos juntos num mesmo processo - a "Operação Lex" ou até, numa primeira fase, o próprio "E-Toupeira". Não sendo jurista, seria um disparate avaliar aqui os méritos da constituição do Benfica como arguido por parte do Ministério Público ou os da contestação apresentada pelos encarnados. Sobra espaço para repetir aquele que foi o discurso do clube até agora: é preciso confiar na Justiça, até porque quem nada deve, nada teme.

2 - Entre a mentira desnecessária de José Maria Ricciardi, prontamente desmascarada por Rui Patrício, e a arrogância ameaçadora das afirmações de Pedro Silveira divulgadas ontem, cabe toda a matéria de que são feitos os piores pesadelos de qualquer sportinguista. As eleições para a presidência do clube, com a instabilidade que sempre está associada a um processo que força uma mudança tão profunda na estrutura dirigente com a época em andamento, deveria significar pelo menos um ponto final no populismo trauliteiro institucionalizado por Bruno de Carvalho e na instrumentalização do Sporting por gente mais preocupada com projetos de afirmação pessoal do que com o melhor para a instituição. Os dois episódios que marcaram a atualidade eleitoral do Sporting durante o dia de ontem ameaçam essa expectativa. Por outro lado, é precisamente para isso que servem as campanhas eleitorais: perceber, tanto quanto possível, exatamente quem vai a votos.