Bloqueados

O FC Porto esgotou ontem a margem de erro de que dispunha na corrida ao título

Todos sabemos que ninguém tropeça em montanhas e que são os obstáculos mais pequenos que provocam as quedas mais estrondosas. Até por isso, o FC Porto não se pode queixarde falta de aviso. Aliás, o mesmo Paços de Ferreira que ontem impôs a primeira derrota aos dragões no campeonato tinha obrigado o Benfica a suar para não perder pontos não há assim tanto tempo como isso. Valeu aos encarnados, na altura, a eficácia de Jonas. A mesma eficácia que faltou aos dragões ontem em momentos-chave, desde logo naquela grande penalidade que Brahimi desperdiçou e que pode ficar para a história como um dos momentos do campeonato, mas não só. Percebeu-se a falta de ritmo de Aboubakar, a falta de discernimento de Hernâni e a falta de entrosamento de Gonçalo Paciência. E percebeu-se, sobretudo, a falta que Herrera faz num meio-campo que cedeu pelas costuras que o têm segurado ao longo dos últimos tempos. De tal maneira que, se Sérgio Conceição tem razão nas queixas em relação ao antijogo e às constantes perdas de tempo dos jogadores do Paços de Ferreira que Bruno Paixão não terá compensado devidamente, fica a ideia de que o de ontem era um daqueles jogos em que nem meia hora a mais chegaria para resolver o bloqueio no ataque. O que nos traz até ao resultado final e ao impacto que pode ter na corrida ao título. Com o Benfica a dois pontos e um clássico para disputar na Luz, a margem de erro dos dragões esgotou-se. Sérgio Conceição sempre disse que gosta de pressão: pois bem, aí está ela. Por outro lado, se os rivais sempre acreditaram quando estavam cinco pontos atrás, não há motivos para o FC Porto duvidar quando está dois pontos à frente.