Bater até furar

O FC Porto quebrou o enguiço no ataque sem perder solidez na defesa e isso pode revelar-se decisivo

É bem verdade que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Não que o ataque do FC Porto seja propriamente mole, mas o facto de ter passado 240 minutos a bater contra a muralha defensiva do Sporting até conseguir marcar não deixa de tornar a analogia inevitável. Ontem, como já tinha acontecido nos primeiros dois clássicos disputados entre dragões e leões, a equipa de Sérgio Conceição foi quase sempre mais forte, embora desta vez o domínio tenha sido consentido em grande parte do jogo pelas mudanças táticas ensaiadas por Jesus. Não deixa de ser curioso que o treinador do Sporting tenha optado por mudar o desenho da equipa precisamente numa altura em que se queixa da falta de tempo para treinar, o que, por um lado, explica as dificuldades que os jogadores leoninos tiveram para se encontrar nesse novo esquema e, por outro, torna natural que o melhor momento da equipa tenha coincidido com o regresso à normalidade possível quando não se pode contar com Bas Dost como referência de área. Sérgio Conceição acabou por ser premiado pela fidelidade ao modelo de jogo habitual nos dragões, mas também pela excelente resposta dada pelos jogadores que assumiram a responsabilidade de substituir os habituais titulares. Reyes, Sérgio Oliveira e Soares fizeram esquecer as ausências de peças tão importantes como Marcano, Danilo e Aboubakar, contribuindo para desequilibrar a balança a favor dos dragões. Claro que a vantagem de um golo é curta e tudo está em aberto, até porque é impossível imaginar como estarão as duas equipas a 18 de abril quando se disputar a segunda mão. Mas o FC Porto, que ontem quebrou o enguiço no ataque, voltou a não sofrer golos frente a um rival direto. E, agora, não sofrer golos chega para ir ao Jamor.