Baixas e álibis

As ausências de Bas Dost e Podence e as dúvidas em torno de Gelson são o álibi perfeito para Jesus jogar "à italiana"

Jesus não pode contar com Bas Dost e Podence e, pelo menos ontem, ainda não sabia se podia usar Gelson no jogo desta noite com o FC Porto. É obviamente um problema não poder contar com os melhores jogadores para cada posição, mas também pode ser um álibi. A verdade é que, esta temporada, Jesus nunca fez questão de assumir a iniciativa nos jogos com o FC Porto. As estatísticas tratam de provar o domínio portista que foi percetível à vista desarmada nos dois clássicos anteriores: mais remates dos portistas, mais ataques, mais passes-chave, menos remates consentidos, mais defesas de Rui Patrício e menos de Casillas, a tendência aponta sempre no mesmo sentido. E esses foram jogos em que Jesus não só contou com Gelson e Bas Dost, mas também partidas em que, pelo menos no discurso, apenas a vitória interessava. O jogo de hoje no Dragão é diferente. O próprio Jesus o assumiu sem rodeios, recordando que a eliminatória se decide a duas mãos que isso mesmo será levado em conta no momento de montar a equipa. Basicamente, Jesus admitiu, sem precisar de o fazer, que o primeiro objetivo para o jogo desta noite é garantir que a eliminatória chega viva à segunda mão, agendada para meados de abril. Bas Dost e Gelson, que segundo o próprio treinador valem 50 por cento daquilo que o Sporting produz no ataque, são essenciais em jogos em que os leões precisam de assumir a iniciativa e ganhar, frente a adversários como o Estoril, por exemplo. Nem tanto quando o objetivo é especular com o resultado e sobreviver para reescrever a história mais adiante.