Prioridade clara

A melhor forma que o Benfica tem de preparar o jogo com o Sporting, é ganhando ao PAOK. Rui Vitória sabe disso

A menos de uma semana do dérbi com o Sporting, Rui Vitória garante que a prioridade do Benfica é ganhar ao PAOK. Nem podia dizer outra coisa. Além do lugar-comum que garante que o próximo jogo é sempre o mais importante, há 43 milhões de euros que ajudam a esclarecer as prioridades para lá de qualquer dúvida razoável. Depois, se na última época, após quatro títulos de campeão consecutivos, dois dos quais sob seu o comando, e em face do desinvestimento no plantel e do mau arranque no campeonato, Rui Vitória encontrou margem de tolerância na SAD e entre os adeptos para sacrificar a Champions, a Taça e a Taça da Liga e investir todos os recursos no campeonato, agora essa margem pura e simplesmente não existe. Na ressaca de um ano a zeros, o Benfica precisa de garantir o acesso à fase de grupos da Champions, não apenas pelo encaixe financeiro que o apuramento permite, mas sobretudo para evitar a mossa que um novo falhanço na Europa faria no amor-próprio da equipa numa altura tão prematura da temporada. Ganhar ao PAOK, de preferência de forma clara, mais do que um passo na direção do tal pote de ouro que a Liga dos Campeões significa, é a melhor forma de preparar o jogo com o Sporting, mantendo os níveis de confiança suficientemente altos para compensar o eventual cansaço acumulado pela sobrecarga de jogos numa fase tão inicial da época. Se este esforço prematuro terá custos mais adiante? É possível, mas como diz o povo: enquanto o pau vai e volta, folgam as costas. Neste caso, as de Rui Vitória.