Fazer a diferença

Não ser Bruno de Carvalho é um bom princípio para Frederico Varandas, mas não chega

1 "Nasci Sporting, cresci Sporting, respiro Sporting mas não sou o Sporting." A frase mais marcante de Frederico Varandas na cerimónia de tomada de posse como presidente é uma forma poética de sublinhar que não é Bruno de Carvalho. Ora, não ser Bruno de Carvalho é um bom princípio, mas não chega. Para unir o Sporting, como afirmou ser prioritário, Frederico Varandas terá de ser mais do que a negação da personalidade do antecessor. Até porque não há assim tantas maneiras diferentes de unir os clubes. Há a que Bruno de Carvalho escolheu, adotando um discurso trauliteiro e populista que apelava ao clubismo mais básico e à unidade dos sportinguistas contra inimigos externos. E há a outra, mais complicada e que se resume numa palavra: ganhar. Foram as vitórias que uniram o FC Porto em torno de Pinto da Costa e o Benfica em torno de Luís Filipe Vieira. E é por aí que os sportinguistas esperam que Frederico Varandas seja diferente de Bruno de Carvalho. Claro que ser emocionalmente mais estável e menos dado a totalitarismos bacocos ajuda, mas aquilo que o Sporting precisa é de um presidente que seja diferente, não só de Bruno de Carvalho mas também de uma longa lista de antecessores: um presidente que ganha.

2 Serena Williams acha que é sexismo ser penalizada por chamar "ladrão" a um árbitro. Ou por quebrar uma raquete num acesso de raiva. Ou por receber instruções do treinador, como o próprio confirmou. Basicamente, acha que é sexismo ser penalizada por não cumprir as regras. O sexismo é um problema real, que afeta a vida de milhões de mulheres em todo o mundo. Usá-lo para reclamar um regime de exceção perante regras que se aplicam a todos banaliza o tema e é um mau serviço prestado a essas mulheres.