A multiplicação que divide

A multiplicação de candidatos à presidência do Sporting pode ter como consequência a divisão dos adeptos

Há pelo menos duas maneiras de olhar para a multiplicação de candidaturas à presidência do Sporting, que ontem voltou a conhecer mais um episódio com entrada oficial de João Benedito na corrida. A primeira é ver nela o reflexo da vitalidade democrática do clube, traduzida na disponibilidade de tantas personalidades diferentes para assumir as redes de uma instituição que promete ser um desafio de gestão seja quem for o eleito, ou na riqueza que representa a discussão e a pluralidade de opiniões num universo tão dado à unanimidade em torno de líderes mais ou menos carismáticos como é o futebol português. A outra é perceber nesta proliferação quase epidémica de candidatos a fragilidade de cada um deles considerado individualmente, desde logo pela incapacidade de reunir consensos à sua volta, de unir o clube em vez de o dividir em torno de personalidades e projetos não apenas diferentes, mas muitas vezes contraditórios. Para quem assiste de fora, parece mais ou menos evidente que a sucessão de Bruno de Carvalho e os desafios que a gestão do clube vai apresentar durante os próximos tempos exigia um presidente forte, sustentado não apenas por uma maioria alargada de associados, mas também pelos principais acionistas e figuras do clube, por mais ou menos croquetes que comam. Aquilo que o estado atual do período pré-eleitoral do Sporting permite adivinhar é precisamente o oposto. Ora, um presidente fragilizado por uma votação residual e uma maioria relativa, suscetível de ser contestado desde a primeira hora, pode acabar por revelar ser mais um problema em vez de representar uma solução definitiva.