Premium A festa da Taça

Numa luta entre um grande e um pequeno, a neutralidade favorece sempre o maior

O relvado da Sertã é um problema e o jogo da Taça entre o Sertanense e o Benfica deve ser jogado em Coimbra. Enquanto isso, o Loures vai jogar com o Sporting ali ao lado, a Alverca, e até a visita do FC Porto a Vila Real - cumprindo o previsto nos regulamentos, que determinam a obrigação de todos os clubes da I Liga jogarem a terceira eliminatória na qualidade de visitantes - está dependente da aprovação da iluminação do estádio transmontano. Sublinhe-se desde já que não estão em causa os clubes, até porque a situação é recorrente, mas o espírito da norma, que é simples: levar a festa da Taça e as principais equipas do futebol português a zonas do país onde, normalmente, apenas são vistas pela televisão e equilibrar os pratos de uma balança que pende sempre para o lado dos mais fortes.

Claro que as condições dos estádios não são irrelevantes, que a Taça de Portugal não pode ficar presa no século XX, que é preciso assegurar a segurança dos espectadores e a integridade física de atletas que custam milhões de euros, mas é evidente que as 1001 preocupações e normas que impedem os muito pequenos de receberem os muito grandes em casa beliscam o espírito da competição mais democrática do calendário nacional. No fim, perde-se a magia, aproveita-se a receita - a que é preciso descontar o aluguer do estádio - junta-se o dinheiro da transmissão televisiva e hipoteca-se uma boa parte das hipóteses de ver tombar um gigante. A questão é que, sendo esta uma situação recorrente, talvez fosse tempo de a assumir como inultrapassável, esquecer o romantismo associado aos regulamentos e definir que estes jogos passariam imediatamente para casa do "grande": os pequenos faziam a festa da viagem a um dos maiores estádios do país, aumentava-se a receita e punha-se um ponto final na história dos campos neutros.