A ditadura do lenço branco

A tolerância dos adeptos do Benfica em relação a Rui Vitória esgotou-se e todos os motivos são bons para demonstrá-lo

Os assobios e os lenços brancos voltaram às bancadas do Estádio da Luz no final do jogo de ontem e Grimaldo reagiu: "não percebo porque é que os adeptos não estão connosco". Em primeiro lugar, talvez não se aplique a este caso a flexão do pronome pessoal "nós" quando aplicado com a preposição "com". Na verdade, "connosco" parece ser um vocábulo demasiado abrangente para um protesto que - por esta altura já ninguém duvida - tem um alvo específico: Rui Vitória.

Os adeptos não estão com o treinador e, o facto de o manifestarem ruidosamente após um jogo em que o Benfica jogou de forma bem mais competente do que tem sido regra no campeonato e em que o triunfo escapou nos detalhes, é um sinal evidente de que o divórcio começa a ser irreversível. Há alguns dados factuais a sustentarem a intolerância das bancadas da Luz: quatro jogos consecutivos sem ganhar significam quatro pontos de distância para o primeiro lugar e a hipoteca do apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Para uma massa associativa que foi a correr comprar a mensagem passada pela máquina de comunicação encarnada de que esta seria a época da reconquista, o confronto com esta dura realidade é naturalmente causa para frustração.

De tal maneira que, atualmente, para além da camisola e do cachecol do clube, o lenços brancos passaram a fazer parte do equipamento obrigatório de qualquer adepto encarnado que assiste aos jogos do Benfica e todos os motivos são bons para mostrá-los: mesmo um empate frente ao Ajax na sequência de uma exibição esforçada. A questão é saber até quando pode Luís Filipe Vieira ignorá-los.