Premium A classe média paga a fatura

A terceira competição da UEFA volta a não tocar nos ricos, penalizando campeonatos como o português

A nova competição europeia desenhada pela UEFA para arrancar a partir da época 2020/21 pode ter um profundo impacto negativo para o futebol português. De acordo com a lista de acessos às três competições - Liga dos Campeões, Liga Europa e Liga Europa 2 - o sétimo classificado do ranking, lugar que Portugal ocupa, perde as vagas diretas na fase de grupos da Liga Europa e passa a ter aí apenas um representante, que ainda assim terá de disputar o play-off. Os quarto e quinto classificados do campeonato serão remetidos à terceira divisão europeia - Liga Europa 2 - onde terão de disputar, respetivamente, a terceira e a segunda pré-eliminatórias e ainda o play-off de acesso à fase de grupos, o que implica antecipar o arranque da temporada. Em aberto, supõe-se, fica a atribuição de um dos lugares europeus ao vencedor da Taça de Portugal, que até agora era o primeiro representante português na Liga Europa. Por detrás desta iniciativa está, como sempre, uma boa intenção: tornar as competições europeias mais inclusivas, alargando-as a mais clubes e a mais federações que é como quem diz a mais votos. Na prática, esta democratização será feita, como sempre, à custa da classe média, onde Portugal naturalmente se inclui. Nos ricos, a UEFA não toca, deixando quer o formato, quer a lista de acessos à Liga dos Campeões exatamente como está. Ao futebol português, restam dois caminhos: ou subir no ranking, o que considerando o comportamento das equipas portuguesas nas provas europeias se imagina complicado; ou atuar junto da UEFA, onde tem representantes com peso relevante, no sentido de evitar que o cenário se confirme.