Fé e montanhas

Jorge Maia

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Luís Filipe Vieira proclama a aposta na formação, mas vai tratando de prevenir para não ter de remediar

Luís Filipe Vieira peca por defeito quando diz que o trabalho realizado pelo Benfica nos últimos nove anos ao nível da formação vai finalmente começar a dar frutos na próxima época. A verdade é que já deu. Assim de repente, só para recordar os mais mediáticos, deu Bernardo Silva, André Gomes e João Cancelo, com os quais, por sinal, o clube da Luz ganhou cerca de 45 milhões de euros enquanto vencia dois títulos de campeão nacional. Não será impossível, mas também não deve ser fácil fazer muito melhor. Ora, é compreensível que a aposta na formação seja erguida como bandeira, especialmente enquanto reação à saída traumática de um treinador que lhe torcia o nariz, mas é difícil imaginar que a imposição de quotas seja o melhor caminho para garantir o sucesso. Afinal, porquê cinco "jovens formados com a cultura do Benfica" na equipa principal? E se só quatro tiverem qualidade para garantir um lugar? E se forem só três? Entram todos à força? E, especialmente, até que ponto essa aposta em talentos jovens saídos da formação é compatível com a necessidade de continuar a ganhar? Provavelmente, a resposta para essas perguntas pode ser encontrada na forma como o presidente do Benfica se empenhou pessoalmente no prolongamento do contrato com Maxi Pereira. Afinal, a fé move montanhas, mas o melhor é dar um empurrão enquanto se reza.