Clubes e jogadores estão todos no mesmo barco

Clubes e jogadores estão todos no mesmo barco
Jorge Maia

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PREMIUM »»» CARA E COROA - Um artigo de opinião de Jorge Maia, diretor adjunto do jornal O JOGO.

Não sei até que ponto as palavras de Joaquim Evangelista, que há dois dias lamentava a falta de contacto por parte a Liga a propósito da crise provocada pela Convid-19, foram decisivas para a criação da Comissão de Acompanhamento conjunta da doença anunciada ontem pela Liga e pelo Sindicato dos Jogadores. Não devia ser preciso que o presidente do sindicato lembrasse em voz alta a importância dos jogadores para as eventuais soluções da crise para que Pedro Proença o ficasse a saber, embora também seja justo supor que entre um organismo e o outra há certamente canais diretos que dispensavam a necessidade de uma posição pública a dar conta de uma eventual divisão numa altura em que o contexto exige união.

Clubes e jogadores - como todos nós - estão no mesmo barco e uma eventual solução para a crise provocada por uma calamidade que ninguém podia ter previsto vai exigir uma ação concertada, que aliás também deve incluir treinadores, árbitros, equipas médicas e a própria FPF.

Os jogadores foram decisivos para a paragem das competições e deverão desempenhar um papel semelhante no seu recomeço, com a natural consciência de que a capacidade dos clubes para cumprirem os respetivos compromissos depende da sua saúde financeira e essa da normalização possível dos campeonatos. O que, por sua vez, atendendo às incertezas em relação à evolução da pandemia e, por tabela, à data de reinício das competições, poderá implicar alguma flexibilidade, desde logo relativamente aos contratos e concretamente àqueles que terminam a 30 de junho. Uma flexibilidade que, de resto, também poderá servir para proteger os próprios jogadores. Afinal, encaixar as dez jornadas que restam no espaço de pouco mais de um mês, como indicam as projeções mais otimistas, implica jogar de três em três dias e sujeitar os atletas a um esforço suplementar que, depois de uma paragem mais ou menos prolongada como a atual, aumenta exponencialmente o risco de lesões.

Numa altura em que parece unânime a opinião de que a única forma justa de resolver o campeonato é concluí-lo, jogando as jornadas que faltam, é fundamental que clubes e jogadores estejam unidos em busca das melhores soluções para o conseguir sem prejuízos irreparáveis para uns e para outros. E isso é certamente mais fácil com diálogo.