Alhos e bugalhos

O contexto torna os casos da invasão violenta de um treino do Guimarães e do ataque a Alcochete incomparáveis

O Conselho Diretivo (CD) e a Comissão Executiva (CE) da SAD do Sporting ou, em menos palavras, Bruno de Carvalho emitiu ontem mais um comunicado em que comparava a invasão violenta de um treino do Vitória de Guimarães por um grupo de adeptos com o ataque à Academia de Alcochete. Tudo para louvar a atitude dos atletas vitorianos que, ao contrário do que aconteceu com alguns jogadores do Sporting, não rescindiram os respetivos contratos. Um nítido caso de mistura de alhos com bugalhos ou de como é possível escrever torto por linhas direitas. Os dois casos, igualmente graves, são incomparáveis, desde logo pelas circunstâncias que os envolvem. No caso do Vitória, não há qualquer notícia de que Júlio Mendes tenha passado as semanas que antecederam os incidentes a enviar mensagens com ralhetes aos jogadores e técnicos, que os tenha censurado de forma pública e notória em entrevistas publicadas na véspera de jogos decisivos ou ainda que tivesse recorrido ao Facebook para os classificar de "meninos mimados", criticando o respetivo profissionalismo e alimentando a animosidade dos adeptos em relação à equipa. Aliás, não consta que Júlio Mendes tenha conta no Facebook e muito menos que, tendo, a use para abordar temas da gestão do clube. Serve esta explicação para concluir o óbvio: os jogadores do Vitória não rescindiram com o clube, da mesma forma como Rui Patrício e Podence não rescindiram com o Sporting; rescindiram com Bruno de Carvalho. Isso mesmo fica claro pelo facto de admitirem voltar atrás caso o presidente se demita. Simplesmente porque, ao contrário do que parece acontecer com o próprio e os restantes membros do CD e da CE, os jogadores do Sporting não confundem o clube com Bruno de Carvalho.