Estiveram bem os capitães das equipas a forçar a paragem

Estiveram bem os capitães das equipas a forçar a paragem
Jorge Costa

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PREMIUM >> Na minha opinião, foi feito o que tinha de ser; estiveram muito bem os capitães das equipas

Estamos a viver um tempo tragicamente único. Estamos preocupados, e devemos estar, com um vírus de propagação fácil que traz a humanidade em sobressalto e eu, naturalmente, incluído. E que estranho é o mundo sem futebol! Que estranho é estarmos em casa, ligarmos a televisão, procurarmos um canal de desporto e só vermos jogos que já vimos, ou não podermos ir a um estádio porque, simplesmente, não há futebol.

Ninguém esperava por algo assim. Discute-se ainda a medida tomada pela Federação e pela Liga de parar com os campeonatos. Na minha opinião, foi feito o que se impunha, estiveram muito bem os capitães das equipas que, por via do Sindicato dos Jogadores, se manifestaram e forçaram até a paragem, porque havia, houve, resistência a tomar essa medida. Todos sabemos o negócio que é hoje o futebol. Com as portas dos estádios fechadas prevenimo-nos, pelo menos, contra o risco de um contágio que poderia levar a uma situação ainda mais grave do que esta que estamos a viver. A saúde está primeiro, a humanidade está primeiro. Esta não é uma paragem normal, é uma paragem forçada, que não está nos planos de ninguém, e que obriga obviamente a uma redefinição dos programas de trabalho. A maior parte das equipas, se não todas, optou por elaborar um plano de treinos para ser cumprido em casa dos atletas. E porque ainda não se sabe quando a paragem irá terminar, esses planos terão de ser repensados à medida que vai havendo notícias.

Até por isso, não é uma paragem normal; é uma situação pela qual nenhum treinador, nenhum jogador passou, e isso é também um desafio para todos, um desafio à inteligência, à imaginação, e depois há ainda a parte psicológica, a de manter os jogadores motivados porque o campeonato vai voltar. Para já, há este interregno desgraçadamente sem data prevista para o seu fim. É uma paragem forçada que nos levanta, claro, algumas dúvidas. Como é que as equipas vão regressar quando a competição estiver de volta? A quem vai fazer mal ou bem esta paragem? Ninguém, em consciência, poderá dar agora uma resposta. Teremos mesmo de esperar para ver. Para já, temos uma luta acesa pelo título, com o FC Porto na frente e o Benfica a um ponto, e uma luta muito interessante pelos lugares europeus, com o Braga, um extraordinário Braga à cabeça, resistindo até às inesperadas mudanças de treinadores. Custódio entrou bem, mas já tem a ANTF à perna por causa da falta de habilitações. Um problema que devia ser resolvido, que tem de ser resolvido. Se calhar não seria mal pensado agilizar os regulamentos para evitar estas situações.

Não vou dizer que esta paragem é benéfica para coisa alguma, porque não é. Mas talvez não fosse mau aproveitarmos todos para refletirmos naquilo que continua mal no futebol; já que não temos futebol para ver, pelo menos tratemos bem dele, porque esta paragem vai servir sim para uma coisa: para percebemos que este desporto nos faz bem, nos diverte, nos anima a existência e merece por isso ser muito bem tratado.